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Parábola da mulher, do índio e do nordestino: uma análise da cobertura da posse de três presidentes sul-americanos nas publicações Caros Amigos, Folha de S. Paulo e Veja
 
 
Autor Ângela Maria Farah Carlos Eduardo Marquioni, M.Sc., PMP Gisela Solheid Meister
 
Resumo:
Este trabalho efetua uma reflexão analítica em relação à profundidade com a qual os órgãos de imprensa brasileiros noticiam fatos políticos nacionais e associados à América Latina. Para poder debater a partir de objetos mais concretos, o artigo apresenta e analisa, a partir da cobertura da posse de três presidentes latino-americanos (sendo um brasileiro), a contextualização histórica e social realizada por um órgão da imprensa alternativa e dois representantes da chamada grande imprensa.
 
Palavras-chave: Comunicação; jornalismo; imprensa alternativa; grande imprensa.
 

1. METODOLOGIA

 
Este trabalho analisa a forma como órgãos de imprensa brasileiros efetuam contextualização histórica e social quando noticiam fatos políticos marcantes. Para isso, foi delimitado como corpus para reflexão um conjunto de matérias publicadas que tratam do tema da posse de três presidentes sul-americanos vitoriosos em eleição direta.
A partir deste tema, estabelecem-se comparações entre uma publicação classificada como imprensa alternativa (a revista mensal Caros Amigos) e duas representantes da grande imprensa (a revista semanal Veja e o jornal diário Folha de S. Paulo). Optou-se por selecionar uma revista e um jornal da grande imprensa devido ao fato que para
 
compreender os significados do quê, do porquê e do como estão escritos os noticiários políticos, o cidadão leitor vê-se obrigado a assinar mais de um jornal e, se for exigente, algumas revistas, para confrontos e complementações. Ou, então, a fazer exercícios especulativos em busca de subtextos, pela associação de falas, fatos e análises (CHAPARRO, 1994, p. 61).
 
É este tipo de análise, de confronto entre as formas como a mesma informação foi noticiada, que será realizada neste artigo.
 

1.1 PRESIDENTES

 
Foram definidos dois critérios para selecionar os presidentes objetos de análise: o primeiro deles foi o que os autores deste trabalho nomearam fator primeiro. Para se enquadrar no critério fator primeiro, o presidente deveria ser referenciado pela imprensa como sendo ‘o primeiro representante’ de um segmento a assumir a Presidência da República em seu país. O segundo critério é relativo ao histórico de cada presidente. Para ser enquadrado nesse critério, o presidente deveria reconhecidamente ter militância política de esquerda. Esse critério é justificado por remeter diretamente a justiça social e respeito aos direitos civis. Esses aspectos, em função da complexidade, indubitavelmente caracterizam a necessidade de contextualização histórica e social bem estruturada para comentar ou justificar a vitória eleitoral. Os autores deste trabalho crêem que seja possível, a partir desse segundo critério, avaliar se as reportagens, além de noticiarem o fato, possibilitam compreensão do cenário político por meio de como a matéria é apresentada[5].
 
Foram selecionados como objetos de estudo o brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, o boliviano Evo Morales e a chilena Michelle Bachelet[6].
 

1.2 ÓRGÃOS DE IMPRENSA

 
A revista mensal Caros Amigos foi selecionada para representar a imprensa alternativa brasileira, pois, de acordo com Pereira Filho, desde seu lançamento em abril de 1997, ela “surge como uma das grandes novidades em termos de jornalismo nacional [...] [e] seria uma espécie de ‘oxigênio revitalizador’, um contraponto à [...] produção feita pela grande imprensa” (2004, p. 25). A revista seria, ainda segundo Pereira Filho, uma representante “do jornalismo questionador, das grandes reportagens, dos testemunhos e entrevistas que ajudam a compreender o mundo, [...] preocupado com o interesse público e a garantia da diversidade, da pluralidade, [...] [e] dos direitos humanos” (2004, p. 24-25).
Uma vez que o termo grande imprensa se refere tipicamente ao número de exemplares em circulação, foram escolhidos como representantes desse segmento de imprensa o jornal diário Folha de S. Paulo[7] e a revista semanal Veja[8].
Além desses aspectos de circulação associados à quantidade, a escolha desses representantes da grande imprensa é reforçada pela declaração de Pereira Filho, que relaciona nominalmente os três órgãos de imprensa selecionados e comenta que “se Caros Amigos recria, inventa e consagra uma ‘velha-nova’ maneira de se fazer jornalismo, [...] [esse formato não seria possível] se ela tivesse uma redação e administração nos moldes da Folha de S. Paulo ou de Veja” (PEREIRA FILHO, 2004, p. 122-123).
De forma geral, o que se deseja analisar é se os órgãos de imprensa avaliados – inclusive a revista representante da imprensa alternativa – seriam praticantes de uma comunicação que se articula “na retórica de raciocinar sobre a verossimilhança [para] fazer-se parecer digna de crédito, [deixando] transparecer no fundo do seu discurso as idéias de justo, útil e belo” (LARANGEIRA, 2006, p. 49).
Essa abordagem caracterizaria um jornalismo “que dirige o sentido e significado do texto [...] [,] traça a linha de corte/recorte [...] [e] estabelece seu viés do real” (PEREIRA FILHO, 2004, p. 17), abordando “fenômenos de modo antidialético, através de estereótipos” (BENJAMIN, 1996, p. 122). O que se espera é, ainda usando palavras de Walter Benjamin, que o jornalista seja um “escritor operativo [cuja missão] não é relatar, mas combater, não ser espectador, mas participante ativo” (ibid., p. 123).
 

1.3 RECORTE TEMPORAL

 
Os presidentes considerados tomaram posse em momentos distintos[9], e os órgãos de imprensa selecionados possuem periodicidade de circulação diferente. Some-se a isso o fato de serem periódicos brasileiros e, evidentemente, a cobertura da posse do representante brasileiro foi mais ampla[10]. Assim, selecionar artigos segundo um critério comum se tornou uma tarefa complexa; os autores do trabalho tomaram como base que, para ser selecionada, a matéria deveria tratar nominalmente o presidente em questão e:
  • Caros Amigos (publicação mensal) e Veja (publicação semanal): os artigos deveriam estar publicados na revista nos três meses que antecedem a posse dos presidentes, no mês da posse propriamente dito ou no mês posterior ao evento;
  • Folha de S. Paulo (publicação diária): os artigos deveriam estar publicados no período compreendido entre a véspera e o dia posterior ao evento.
 
1.4  OS CRITÉRIOS DE ANÁLISE
 
As teorias do espelho e do newsmaking podem contribuir para o entendimento de como as empresas jornalísticas organizam seu trabalho. É por meio dessas teorias explicitadas por Traquina (2005), que este artigo analisa os meios de comunicação selecionados. Além desse suporte teórico, a história do jornalismo e sua evolução, descrita por Marcondes Filho (2002), auxiliam na composição do referencial teórico do artigo.
 

2. REFERENCIAL TEÓRICO

 

2.1 TEORIA DO ESPELHO

 
O jornalismo de informação surgiu na metade do século XIX e separou os fatos e as opiniões. No século XX, nos EUA, o conceito de objetividade no jornalismo se estabelece e propõe a imparcialidade do jornalista ao fazer suas reportagens. Essas mudanças trouxeram para o jornalismo a objetividade da ciência, tentando afastar o jornalismo da atividade de relações públicas e da propaganda (TRAQUINA, 2005).
A Teoria do Espelho explica que as notícias são como são porque retratam a realidade. Nesse conceito, o jornalista é uma pessoa sem interesses específicos e que, portanto, nada pode desviá-lo de informar, procurar a verdade, contar o que aconteceu, relatar o fato. A realidade determina a notícia que o jornalista irá contar para seu público (TRAQUINA, 2005; PENA, 2005). Todas essas características determinam a cultura jornalística, o ethos jornalístico ainda hoje.
 
Até hoje, a comunidade jornalística defende a teoria do espelho com base na crença de que as notícias refletem a realidade. Isso acontece porque ela dá legitimidade e credibilidade aos jornalistas, tratando-os como imparciais, limitados por procedimentos profissionais e dotados de um saber de narração baseado em método científico que garante o relato objetivo dos fatos (PENA, 2005, p. 126).
 
Apesar de ser prática comum e estar presente no discurso dos principais jornais brasileiros, a maioria dos estudiosos do jornalismo considera a Teoria do Espelho bastante limitada; em oposição surge a Teoria Construcionista da notícia, conhecida também como Teoria do Newsmaking
.

2.2 TEORIA CONSTRUTIVISTA OU TEORIA DO NEWSMAKING

 
Na década de 1970, surge um novo paradigma sobre o conceito de notícia: ela passa a ser vista como uma construção. Esse novo paradigma se opõe ao ethos jornalístico predominante que acredita na notícia como espelho da realidade (TRAQUINA, 2005).
 
Os estudiosos que defendem o paradigma da notícia como construção afirmam que a notícia continua tendo como referência a realidade, contudo também a constrói e por isso a notícia não pode ser o espelho da realidade. Há três argumentos principais que definem a visão construcionista da notícia, que dá base aos estudos da Teoria do Newsmaking: 1) É impossível determinar o que é realidade, pois as notícias ajudam a construir a realidade; 2) A linguagem neutra ou objetiva também é impossível e por isso não pode repassar para o público o significado ‘real’ dos acontecimentos; 3) A estrutura da representação do texto noticioso, desde a investigação até o fechamento da notícia, segue aspectos padronizados da organização do trabalho jornalístico, as limitações financeiras, e coordenação editorial para responder à imprevisibilidade dos fatos (TRAQUINA, 2005).
É importante ressaltar que entender a notícia como construção não implica que as notícias sejam ficção, apenas “[...] alerta-nos para o fato de a notícia, como todos os documentos públicos, ser uma realidade construída possuidora da sua própria realidade interna’” (GAYE TUCHMAN, 1976/1993, p. 262, citada por TRAQUINA, 2005, p. 169).
 
A Teoria do Newsmaking analisa a tirania do tempo vivida pelos jornalistas nas redações, a necessidade de impor ordem ao tempo e ao espaço, a forma do texto jornalístico, enfim, a rotina produtiva do jornalista e como ela influencia o resultado final do trabalho jornalístico. A atividade jornalística exige que seus profissionais observem, selecionem e transformem os acontecimentos em notícias, sempre orientados para a hora do fechamento (deadline) da edição do jornal, seja em TV, impresso, rádio ou Internet.
 
Para tentar deter a imprevisibilidade comum aos acontecimentos, as empresas jornalísticas necessitam impor ordem ao tempo e ao espaço. Dessa forma, os acontecimentos são mais facilmente observados, porque estão organizados no tempo e no espaço. O primeiro parágrafo de uma notícia, o lead, que deve responder a seis perguntas básicas: quem, o quê, quando, onde, como e por quê, também facilita para o profissional o término de seu trabalho no tempo e no espaço delimitados, porém, ao mesmo tempo, limita a possibilidade de a notícia ser o espelho do real porque obriga a seleção do que é o mais importante no acontecimento noticiado.
Segundo a socióloga Gaye Tuchman (1973/1978, citada por TRAQUINA, 2005), a extensão da rede noticiosa para capturar os acontecimentos é uma das soluções das empresas jornalísticas para impor ordem ao espaço. São três as estratégias utilizadas pelas organizações jornalísticas: a alocação de repórteres nas regiões geográficas consideradas mais importantes para a cobertura jornalística; a cobertura setorial, para a qual a empresa jornalística dispõe de repórteres que cobrem determinada empresa, clube de futebol, prefeituras, governos, etc; e a divisão dos meios de comunicação em editorias ou seções. Para Tuchman (citada por TRAQUINA, 2005), uma das conseqüências dessas estratégias para tentar organizar o espaço é acreditar que há chances de os acontecimentos ocorrerem em determinados lugares e não em outros.
 
2.3 AS QUATRO FASES DO JORNALISMO
 
Marcondes Filho (2002) revê a história do jornalismo e propõe que o jornalismo pode ser dividido em quatro fases: o primeiro jornalismo (de 1789 até a metade do século 19), o segundo jornalismo (a partir da segunda metade do século 19), o terceiro jornalismo (no século 20) e o quarto jornalismo (iniciado na década de 1970).
 
Os ideais da Revolução Francesa (1789) e a transformação social causada por ela marcam o primeiro jornalismo. Antes da Revolução, o controle da informação e do conhecimento funcionavam para manter a autoridade e o poder. A partir da Revolução, os valores mudam e “agora tudo deve ser exposto, superexposto, ostensivamente mostrado” (MARCONDES FILHO, 2002, p. 11). Nesse momento, a transparência é o valor máximo.
Essa época é marcada pelo jornalismo político-literário e também pela profissionalização do jornal, surgem as redações departamentalizadas, o artigo de fundo e a autonomia redacional (MARCONDES FILHO, 2002, p. 11). A finalidade do jornalismo nesse momento é proporcionar a educação e a formação política de seus leitores. Apesar disso, continuaram existindo os jornais partidários, utilizados como instrumentos dos políticos.
A partir da inovação tecnológica nos processos de produção do jornal, surge o segundo jornalismo, caracterizado pela implantação do jornal como empresa capitalista. A tecnologia custava caro aos proprietários dos jornais e por isso começaram a pensar no jornalismo como negócio. Assim, o espaço publicitário ganha valor em relação ao espaço de informação jornalística. “A tendência – como se verá até o final do século 20 – é a de fazer do jornal progressivamente um amontoado de comunicações publicitárias permeado de notícias” (MARCONDES FILHO, 2002, p. 14).
 
O terceiro jornalismo é caracterizado pelo monopólio das empresas jornalísticas, devido ao grande desenvolvimento propiciado pelas novas tecnologias e pelo desenvolvimento do sistema capitalista de produção. Além desse fator, a criação de novas formas de comunicação que competem com o jornalismo e o descaracterizam, como a indústria publicitária e de relações públicas, é o principal elemento de transformação da atividade jornalística.
Nos anos 1970 surge o quarto jornalismo, que é o jornalismo da era tecnológica. Nesse momento, as estratégias de comunicação e persuasão expandem a indústria da consciência no universo da informação. É a ação direta das assessorias de imprensa e da publicidade nos meios de comunicação influenciando o conteúdo informacional produzido pelo jornalismo. Ao mesmo tempo, os sistemas de comunicação eletrônicos fornecem material informativo, que pode ser recolhido em várias fontes, todas eletrônicas. Para Marcondes Filho (2002), a influência das novas tecnologias da informação no trabalho do jornalista é o fator principal na mudança da profissão e da ausência de reconhecimento do papel desse profissional.
 
[...], a tecnologia imprime seu ritmo e sua lógica às relações de trabalho, definindo os novos profissionais, a nova ética de trabalho, em suma, um outro mundo, que mal deixa entrever os sinais do que se convencionou chamar no passado de ‘jornalismo’ (MARCONDES FILHO, 2002, p. 31).
 
A tecnologia ainda favorece a visibilidade técnica como modelo para a comunicação. Primeiro, a imagem, depois, o texto verbal.
 
A precedência da imagem sobre o texto muda a importância da matéria escrita e a submete a leis mais impressionistas e aleatórias: a aparência e a dinamicidade da página é que se tornam agora decisivos. Dentro dessa mesma nova orientação do jornalismo, assuntos associados ao curioso, ao insólito, ao imageticamente impressionante ganham mais espaço no noticiário, que deixa de ser ‘informar-se sobre o mundo’ para ser ‘surpreender-se com pessoas e coisas’ (MARCONDES FILHO, 2002, p. 31).
 
Marcondes Filho (2002) considera que há duas maneiras possíveis para escrever um texto jornalístico. A primeira é redigir uma série de segmentos que tem sentido individual e que se alinham aos demais segmentos como num mosaico. “O sentido está na peça isolada e o conhecimento se dá de forma difusa e livre” (MARCONDES FILHO, 2002, p. 44). A segunda maneira pretende ligar por meio de um fio condutor as informações. Nessa redação, o conhecimento é linear, segue a lógica do fio condutor, proporciona ao leitor a compreensão das relações existentes em tal fato ou assunto tratado. Para Marcondes Filho, o jornalismo trata suas matérias da primeira forma, não faz a ligação e a relação entre os fatos.
 
[...], [...] a grande parte dos jornais diários – [...] – e mesmo das revistas semanais escolhe deliberadamente esse procedimento para evitar a ‘intelectualização’ da notícia, por desconhecer ou menosprezar as capacidades do leitor, em suma, por apostar (em geral, baseada em preconceitos) numa informação de qualidade inferior (MARCONDES FILHO, 2002, p. 47).
 
A predominância dessa maneira de registrar os fatos vivenciados pela sociedade pode influenciar na maneira como essa mesma sociedade compreende a si mesma e suas relações.
 

3. A CONTEXTUALIZAÇÃO REALIZADA PELA IMPRENSA BRASILEIRA

 

3.1 FATOR PRIMEIRO

 A maneira como os órgãos de imprensa utilizados tratam o aqui nomeado fator primeiro não permite grandes distinções entre eles, no sentido que todos destacam em algum momento o ineditismo. Não se espera com isso afirmar o nivelamento dos órgãos de imprensa analisados, mas evidenciar que todos julgaram relevante noticiar a informação utilizando a mesma referência.
Com relação ao presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, foi noticiado pela Folha de S. Paulo que se tratava de alguém “sem curso superior [...] [e] o primeiro operário [grifo nosso] a ocupar cargo” (FRAGA, 2003, p. A-4). A revista Veja destacou o ineditismo ao noticiar que
 
[...] a primeira semana de 2003 já está inscrita na história brasileira. É histórica a chegada ao poder do ex-operário que, durante o discurso de posse, resumiu em poucas palavras sua extraordinária biografia de retirante nordestino a presidente da República [grifos nossos] (BRASIL, 2003, p. 23).
 
Em artigo assinado por César Benjamin, a revista Caros Amigos afirma, em novembro de 2002, que “Lula é o primeiro filho do povo pobre a ascender à presidência [grifo nosso]” (2002, p. 14). Além disso, a revista ainda destacou a chegada de Lula à presidência da República como “o fato sem precedentes da chegada de um ex-operário ao cargo máximo da nação [grifo nosso]” (ARBEX JR, 2006, p. 13).
O presidente boliviano Evo Morales foi apresentado em manchete pela Folha de S. Paulo como o “ presidente indígena [grifo nosso]” (MAISONNAVE & LEITE, 2006, p. A-14). A revista Veja anunciou o ineditismo em artigo no qual informava que “Evo Morales é o primeiro indígena a chegar à Presidência [grifo nosso]” (COSTAS, 2005, p. 28). A revista Caros Amigos também apresenta o fator primeiro associado ao presidente boliviano[11] quando informa que
 
[...] a folgada vitória eleitoral do líder camponês cocalero boliviano Evo Morales [...] representa um importante marco histórico: pela primeira vez, um representante direto dos povos originários [indígena] é conduzido á [sic] presidência de um país sul-americano [grifos nossos] (ARBEX JR, 2006, p. 13).
 
Finalmente, a presidente chilena Michelle Bachelet foi apresentada pela Folha de S. Paulo como a “[...] primeira mulher presidente do Chile [grifo nosso]” (LEITE, 2006, p. A-27), pela revista Veja como “a primeira mulher que chega ao poder na América Latina por méritos próprios [grifo nosso]” (SCHELP & COSTAS, 2006, p. 71), e pela revista Caros Amigos, que informou que o Chile “elegeu presidente a primeira mulher, inédito na América do Sul [grifo nosso]” (SEVERIANO, 2006, p. 28).
 

3.2 CONTEXTUALIZAÇÃO DE RELEVÂNCIA QUESTIONÁVEL[12]

 
Os trechos comentados abaixo tratam matérias e reportagens apresentadas em relação ao tema proposto, mas que aparentemente não contribuem com a formação de consciência política. É importante ressaltar que entre os órgãos de imprensa analisados, a revista Caros Amigos não apresentou contextualização considerada pelos autores do trabalho como de relevância questionável.
Um aspecto discutível, no que diz respeito a cobertura política, são características metereológicas associadas à posse presidencial que tiveram destaque no periódico Folha de S. Paulo em relação à posse de dois dos presidentes analisados.
No caso de Lula, merecem citação a manchete no caderno de editoria Brasil da edição nacional da Folha que anunciava “Previsão é de chuva para dia da posse no DF” (BRASIL, 2002, p. A-6) e a matéria correspondente que alertava a “quem quiser acompanhar a posse do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em Brasília, [que] deve levar o guarda-chuva” (BRASIL, 2002, p. A-6). Além disso, o caderno de política ainda noticiava a previsão que
 
[...] a temperatura deve variar de 18°C a 26°C [...] [e] a umidade relativa do ar (quantidade de água na atmosfera) deve permanecer acima dos 60%. Quanto maior for esse índice, que só fica elevado durante o verão, mais alta é a possibilidade de chover (BRASIL, 2002, p. A-6).
 
No mesmo dia, outro artigo, dessa vez assinado, no mesmo caderno e página, reforça o aspecto da provável precipitação pluviométrica por analogia histórica, ao noticiar que o presidente eleito afirmara que
 
[...] ‘com chuva ou com sol, não haverá nada que me impeça de subir aquela rampa [do Palácio do Planalto] dia 1º, a partir das 15h. Nem tempestade de granizo’ [...] [e complementa com a informação que] nos últimos dias, Brasília tem sido atingida por fortes chuvas durante a tarde, período em que a cerimônia de posse ocorrerá (ZANINI, 2002, p. A-6).
 
A cobertura da posse do presidente boliviano Evo Morales, no caderno de política internacional (Mundo), também teve a chuva como destaque no periódico, que noticiou que “o tempo instável só apresentou sol forte durante a presença de Morales. Antes, uma chuva fina e fria castigou a multidão. Depois, uma forte tempestade de granizo desabou sobre Tiwanaku” (MAISONNAVE & LEITE, 2006, p. A-14). Vale salientar nesse caso a formação de sentido a partir do texto, que possibilita pensar em aspectos de magia: os jornalistas que faziam a cobertura da posse de Morales informam no artigo em questão que o evento se deu em
 
[...] cerimônia marcada por rituais indígenas [...] [nas] isoladas ruínas de Tiwanaku [...], um importante centro religioso pré-incaico [...] [em] solenidade espiritual [...] [para a qual o presidente eleito] apareceu no alto de um morro [...] [onde] ganhou a bênção da Pachamama (mãe Terra) [...] vestido com um poncho vermelho de alpaca e trazia à cabeça um ‘unco’, espécie de gorro dourado de quatro pontas, em alusão às regiões do Estado pré-incaico. Nos pés, uma sandália de tiras (MAISONNAVE & LEITE, 2006, p. A-14).
 
Outro aspecto de relevância discutível em relação à cobertura política que envolve a posse de dois dos presidentes analisados, ainda no periódico Folha de S. Paulo, são os gritos de guerra que teriam sido cantados por populares durante as posses de Lula e Bachelet. No caso do brasileiro, o periódico noticiou que a cerimônia de posse teve “um ambiente menos de solenidade e mais de palanque eleitoral, aos gritos de ‘olê/olé/olá/Lula/Lula” (ROSSI, 2003, p. Especial-4). No caso da presidente chilena, foi informado que “houve [...] o grito de guerra ‘olê, olé, olê, Michelle, Michelle’” (LEITE, 2006, p. A-27).
A revista Veja também apresentou matéria de relevância questionável, embora no caso desse periódico a reportagem estivesse na seção Gente (e não em política, como no caso da Folha de S. Paulo). De qualquer forma, é necessário comentar o teor de alguns trechos da cobertura fashion da posse de Luiz Inácio Lula da Silva. Diz a matéria que “se a mudança social prometida pelo governo lulista for na mesma linha da transformação estética da nova primeira-dama, o futuro da nação está garantido” (OYAMA, BRASIL & PINHEIRO, 2003, p. 32).
Continuando a análise, a reportagem diz ainda que
 
[...] o vermelho sofisticado [do vestido] da primeira-dama teve uma contrapartida na singeleza do modelo da senadora Heloísa Helena [grifo no original]. ‘Foi feito pela minha madrinha Glorinha, que mandou que eu usasse na posse’, explica a Passionária de Alagoas. O vestido de renda desvendou o segredo oculto pela eterna combinação calça jeans-camisa branca: as bem torneadas pernas da senadora [grifo nosso] (OYAMA, BRASIL & PINHEIRO, 2003, p. 32-33).
 
A matéria encerra com comentário pitoresco sobre Karl Max Enock Ramos da Silva, chef do hotel onde o vice-presidente da república ofereceu uma festa de réveillon, e dá conta que tal chef “no popular, acabou [sendo] chamado como Marquinhos [...] [e avisa] aos espíritos ainda assustados com a esquerda no poder [que] é um alívio lembrar que este é um país onde Karl Marx vira Marquinhos” (OYAMA, BRASIL & PINHEIRO, 2003, p. 35).
 

3.3 CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA E SOCIAL – LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA

 
A revista Caros Amigos não dedicou artigo ou reportagem especial para a posse do presidente Lula na edição de janeiro de 2003. Talvez por sua periodicidade mensal, a revista tenha escolhido outra maneira de falar sobre o assunto, visto que os jornais diários e revistas semanais já haviam publicado material extenso sobre o tema.
 
Na revista de janeiro de 2003, a escritora Ana Miranda dá as boas vindas ao novo ano, em um texto literário que fala sobre as esperanças guardadas durante tanto tempo pelo povo brasileiro e que agora estão representadas no novo governo. Uma reportagem conta como foi a visita de Lula, depois de eleito, à cidade em que nasceu, Caetés, no interior de Pernambuco. No artigo Medos que a esperança não venceu, Guilherme Scalzilli reflete sobre a transição proposta por FHC a Lula. O articulista Jairo Medeiros propõe a realização de uma Simpatia para o governo Lula.
 
Entretanto, é ainda nos meses de outubro, novembro e dezembro de 2002 que a revista Caros Amigos oferece ao leitor uma ampla reflexão sobre o significado da vitória de Lula. No artigo Lula: detalhes biográficos, o escritor e articulista da revista, Frei Betto, escreve sobre a vida de Lula, seu nascimento, sua mudança para São Paulo, seus empregos, o início da militância sindical, a fundação do Partido dos Trabalhadores, entre outros detalhes. Em nenhum momento do texto o escritor usa as expressões comumente utilizadas nos jornais e revistas para descrever Lula (BETTO, out. 2002, p. 26).
 
Em novembro de 2002, a revista publica artigos, charge e coluna, da página 10 a 17, sobre a vitória de Lula. Em um dos artigos dessa série, Gilberto Felisberto Vasconcellos reflete sobre a mudança da matriz energética da sociedade brasileira, apontando que “Um governo dirigido por um ex-operário, portanto se inclina para a esfera do trabalho, tem diante de si o desafio de mudar a matriz energética para realizar as metas da cidadania e soberania” (VASCONCELLOS, nov. 2002, p. 17).
 
Frei Betto, articulista da revista, discute, em dezembro de 2002, qual é o significado da vitória de Lula para a esquerda e pergunta: “Como um torneiro-mecânico, fundador de um partido que, em sua Carta de Princípios, defende o socialismo, chegou ao governo pelo voto popular?” (BETTO, dez. 2002, p. 18).
 
A revista Caros Amigos apresenta como característica predominante em artigos, reportagens, colunas e charges a forma analítica e interpretativa. Assim, a revista investe na apresentação de novas idéias, na discussão de temas políticos e econômicos relevantes para a sociedade brasileira, sempre apontando em suas análises a contextualização histórica e social. A periodicidade da revista contribui, de certa forma, para que a referência histórica seja o ponto-chave nos artigos e reportagens que publica, deixando ao leitor a possibilidade de refletir sobre os assuntos tratados.
 
Nesse sentido, pode-se usar a classificação proposta por Marcondes Filho (2002), na qual ele indica duas formas de escrever textos jornalísticos. A revista Caros Amigos usaria a segunda maneira, que utiliza um “fio condutor” para realizar a análise do tema proposto na pauta. Esse tipo de redação possibilita ao leitor maior compreensão do tema porque ali estão apontadas de forma profunda o contexto e as relações do tema com a realidade social.
O jornal Folha de S. Paulo fez a cobertura da posse do Presidente da República, enviando uma equipe especial para o evento. Em uma das reportagens, analisa o discurso de posse do presidente, apontando a linha ideológica escolhida. “Todo o discurso foi uma mescla de menções às antigas bandeiras do PT temperadas com a nova moderação que o partido exibiu desde que a vitória eleitoral começou a se desenhar no horizonte” (ROSSI, 2003, p. Especial-4).
 
Os detalhes da cerimônia e do comportamento do presidente foram registrados com um toque de ironia. “Com nascente fama de chorão, Lula só uma vez passou o lenço pelos olhos, como se estivesse enxugando lágrimas, pouco após ter sido tocado o Hino Nacional [grifo nosso]” (ROSSI, 2003, p. Especial-4).
 
Esse trecho da reportagem aponta para uma importante característica do jornalismo, que é a descrição do fato pelo repórter, um observador presente no momento do acontecimento. Essa presença garante que o repórter vai retratar o que viu de forma objetiva, ele só contará em sua reportagem o que viu, o que aconteceu. Porém, quando o jornalista aponta a “fama de chorão” do presidente, ele está fazendo o seu recorte da realidade presenciada. Mais uma evidência de que o jornalismo não é o ‘espelho da realidade’, como alguns teóricos propõem, é quando o repórter afirma que o presidente passa o lenço pelos olhos “como se estivesse enxugando lágrimas”. O repórter duvida da atitude do presidente ou não estava tão próximo para garantir que era isso que ele fazia naquele momento? Uma vez mais o ‘espelho da realidade’ se quebra. Como pretendem os teóricos construcionistas apoiados pelos teóricos do newsmaking, o jornalista está contando o que vê e o que não vê com tanta clareza, apoiado ainda em suas convicções pessoais.
 
[...], a objetividade no jornalismo não é a negação da subjetividade, mas uma série de procedimentos que os membros da comunidade interpretativa [os jornalistas] utilizam para assegurar uma credibilidade como parte não-interessada e se protegerem contra eventuais críticas ao seu trabalho” (TRAQUINA, 2005a, p. 139).
 
A comparação entre o presidente anterior e Lula parece inevitável.
 
O discurso de posse dedicou longo trecho e forte ênfase ao combate à fome. Lula chegou a convocar a população para ‘um mutirão nacional contra a fome’.
Oito anos exatos antes, também no seu discurso de posse, o antecessor de Lula, Fernando Henrique Cardoso pedira a mesma coisa: ‘um grande mutirão nacional, unindo o governo e a sociedade, para varrer do mapa do Brasil a fome e a miséria’ (ROSSI, 2003, p. Especial-4).
 
Outro momento do discurso é analisado com ironia, usando adjetivos que não acrescentam informação ao texto, mas expressam a opinião do repórter, nesse caso articulista do jornal. Nesse trecho da reportagem, a objetividade não é mais um valor da profissão ou do jornal. A visão de mundo do repórter está colocada de forma clara.
 
Lula dedicou uma porção surpreendentemente grande de seu discurso à política externa. Reafirmou a prioridade para o Mercosul e para a América do Sul e dedicou magérrimas três linhas aos Estados Unidos (para defender "uma parceria madura, com base no interesse recíproco e no respeito mútuo", o que é o óbvio) [grifo nosso] (ROSSI, 2003, p. Especial-4).
 
Em outra reportagem, uma articulista chama atenção novamente para a emoção do presidente. “Se faltavam as tão esperadas lágrimas no dia da posse de Lula, elas vieram só a minutos da descida da rampa do Planalto e do fim das cerimônias [grifo nosso]” (CANTANHÊDE, 2003, p. Especial-6).
Na mesma reportagem, destaca-se o que Lula disse durante seu discurso de posse
 
[...] fez uma referência emocionada aos antigos petistas e não-petistas mortos: ‘não sou o resultado de uma eleição, sou resultado de uma história, sou o sonho de uma geração e de gerações que vieram antes da minha’ [...] ‘que morreram pela democracia e pelas liberdades’ (CANTANHÊDE, 2003, p. Especial-6).
 
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se referia em seu discurso de posse às vítimas do regime militar brasileiro, contra o qual lutou enquanto líder sindical metalúrgico.
O jornal ainda apresenta números como ‘contextualização’ do fato histórico. Mais uma vez o jornal procura credibilidade e legitimidade para suas reportagens. Por meio de datas, quantidades e porcentagens, a reportagem aponta dados exatos, não há como ‘enganar’ com números. Esse tipo de informação tem sua importância, mas o que garante a credibilidade, a legitimidade e a qualidade da informação é a maneira como isso será colocado no texto. Se não houver “fio condutor” e contexto, serão dados apenas e não, informação (MARCONDES FILHO, 2002).
 
Será a primeira vez desde 1961 que um presidente eleito diretamente pela população passará a faixa a outro escolhido nas mesmas condições. Lula recebeu no segundo turno 52,8 milhões de votos. Ele tem a confiança dos brasileiros, apesar do baixo crescimento econômico e da expectativa de alta da inflação. Segundo o Datafolha, 76% dos eleitores crêem num governo ótimo ou bom. FHC teve taxas de 70% em 95 e 41% em 99. Para 48%, a situação econômica do país vai melhorar. Outros 46%, no entanto, acham que a inflação subirá (SEM AUTOR, 2003, p. A1).
 
Expressões que configuram senso comum e preconceito continuam presentes em outro texto publicado pelo jornal.
 
O desenho do ministério de Lula é o de um governo com a cara do PT _o que pode parecer óbvio em razão dos milhões de votos que obteve, mas é menos pluralista do que Lula dizia na campanha.
A indicação de José Dirceu, na Casa Civil, e de Antonio Palocci Filho, na Fazenda, como homens-chave do governo imprime a tinta vermelha do partido na imagem da equipe ministerial. Terá a guarda do cofre e o comando das negociações políticas [grifo nosso] (FRAGA, 2003, p. A4).
 
A revista Veja tem como modelo a revista americana Time, criada nos anos 1920, propondo o jornalismo interpretativo para explicar melhor para a sociedade as transformações do mundo depois da Primeira Guerra Mundial. O jornalismo interpretativo busca entender as relações entre os acontecimentos, “de modo a oferecer uma compreensão aprofundada da realidade contemporânea” (LIMA, 2004, p. 19). Pode-se comparar esse jornalismo à necessidade de um “fio condutor” em um texto jornalístico apontada por Marcondes Filho (2002).
Apesar da inspiração da revista ser o jornalismo interpretativo, a principal característica da revista Veja é a existência de opinião em boa parte das suas ‘reportagens’, como no trecho a seguir: “[...], é vital que os membros do governo petista, e o próprio presidente, não se percam na noção poética de que estão reinventando a história [grifo nosso]” (UM DIA..., 2003, p. 24). Ainda com clara intenção de opinar, a revista diz o que é certo e natural. “[...] Tal postura é natural na liturgia empolgada dos discursos de massa, mas não pode ser levada ao pé da letra no exercício do mandato” (UM DIA..., 2003, p. 25).
Mais uma vez, sem contextualizar historicamente, a revista opina e usa termos preconceituosos para descrever o ministério do novo governo.
 
[...] Com a posse dos novos ministros, a variedade da platéia e os diferentes tons dos discursos, ficou mais evidente que esse governo tem uma fauna diversa e espelha o velho cadinho brasileiro – tem ex-seringueira, estrela pop, feministas, empresários, ex-guerrilheiros, diplomatas [grifo nosso] (UM DIA..., 2003, p. 25).
 
Ainda falando sobre a origem diversa dos ministros do presidente Lula, a revista registra uma leve ironia. “Foi uma festa recheada de expressões como ‘ouriçam planetariamente’, ‘transculturativas’ e ‘semiodiversidade’. Ninguém entendeu nada” (UM DIA..., 2003, p. 25). As pessoas que estavam presentes, segundo a revista, não entenderam nada. O leitor de Veja também não.
A revista compara os presidentes Fernando Henrique Cardoso e Lula e demonstra que agora Lula deve ter outro comportamento, um pouco mais parecido com Fernando Henrique. “Guardadas as diferenças entre um presidente que entra e outro que sai, Lula deveria forçar-se um pouco a evitar o excesso de contato físico com desconhecidos. Se não por discrição, que seja pelo menos no interesse do país” (UM DIA..., 2003, p. 27).
Em mais uma tentativa de descontextualizar historicamente questões importantes para o Brasil, como a reforma agrária, a revista volta com os adjetivos e não informa com precisão o seu leitor.
 
Quanto a esse último ponto [reforma agrária], Lula fez questão de afastar do horizonte as birutices coletivistas que compõem o ideário do Movimento dos Sem-Terra. Falou que a reforma agrária será realizada em terras ociosas (assim como ocorreu durante o governo FHC). [...] Ou seja, se tudo der certo, e o ministro Miguel Rossetto não tentar entrar para a história como o Trotsky do campesinato brasileiro, não deverá demorar para que o capo do MST, João Pedro Stedile, comece a vociferar contra ‘os porcos capitalistas do PT’ [grifos nossos] (BRASIL, 2003, p. 30).
 
Conforme citado anteriormente, para completar a cobertura do evento da posse do presidente Lula, a revista compara a estética da moda ao bom gosto que o novo presidente deve ter ao governar. “Se a mudança social prometida pelo governo lulista for na mesma linha da transformação estética da nova primeira-dama, o futuro da nação estará garantido” (OYAMA, BRASIL & PINHEIRO, 2003, p. 32).
Em todos os trechos selecionados da revista Veja pode-se perceber com clareza a falta de “fio condutor” ou da apresentação das relações entre os acontecimentos. O que incomoda é a pretensão do jornalista que impõe sua opinião para milhares de brasileiros e não dá chance a eles de terem acesso às informações que o jornalista recebeu para poder formar sua opinião.
 

3.4 CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA E SOCIAL – EVO MORALES

 
A revista Caros Amigos apresenta Evo Morales narrando o passado do presidente boliviano, situando historicamente o movimento liderado pelo então líder sindical Morales e apresentando a abrangência deste movimento, desassociando-o da produção de cocaína, normalmente o referencial associado à Bolívia. A jornalista Natália Viana conta que o presidente boliviano
 
[...] passou de plantador de coca a líder sindical, movido pela não aceitação da erradicação forçada das plantações [de coca], executada pelo exército boliviano [...] ‘inspirada’ pelo governo americano [...] [originando o] movimento cocaleiro, que unia a revolta pela destruição da fonte de renda de milhares de camponeses à defesa da tradição milenar do uso da coca pelos indígenas bolivianos, sob o lema que ‘coca não é cocaína’. No início da década de 90, o movimento cocaleiro, já então um dos mais importantes do país, decidiu criar um braço político, o MAS – Movimento ao Socialismo – para defender a coca, os recursos naturais e a soberania nacional [grifos nossos] (VIANA, 2006, p. 40).
 
A revista Veja adota outro viés para apresentar o presidente boliviano, tratando-o como alguém radical e que provocava tumultos. A matéria selecionada referencia a plantação de coca no país sem citar a tradição do plantio da folha, o que pode induzir a pensar na cultura da coca apenas para produção de cocaína. Diz Ruth Costas que
 
[...] vários presidentes foram depostos pelos tumultos nas ruas [...] [de] La Paz, sempre liderados [...] por Evo Morales [...] [que] chegou à vida política como líder dos plantadores de coca, lavoura que o governo tentou coibir, com ajuda dos Estados Unidos. Seu programa de governo pode ser resumido em poucos itens [...] [que] seriam metas difíceis de realizar num país bem organizado. Na Bolívia, o mais pobre da América do Sul e fragmentado por divisões étnicas, sociais e ideológicas, as chances são nulas. Uma perspectiva otimista é que o radicalismo de Morales seja contido pela realidade [grifos nossos] (COSTAS, 2005, p. 58-60).
 
A Folha de S. Paulo esboça uma contextualização histórica interessante ao apresentar Morales, mas esbarra na questão da folha de coca, deixando a impressão que o presidente boliviano compactua com o narcotráfico. O uso de citações de frases ditas pelo presidente boliviano durante a cerimônia de posse leva a um certo afastamento do jornalista, ao mesmo tempo que enfatiza o caráter ativista de Morales. Diz Fabiano Maisonnave que
 
[...] o socialista indígena Evo Morales, 46, recebeu [...] a faixa presidencial [...] para um mandato de cinco anos, prometendo ‘refundar o país’ e pedindo ‘unidade para mudar a nossa história’ [...] [através de] ‘uma grande rememoração sobre o movimento indígena, [...] da época colonial, da época republicana e da época do neoliberalismo’ (MAISONNAVE, 2006, p. A-08).
 
Aocomentar a maioria indígena Fabiano Maisonnave cita outra frase de Morales durante a posse, quando o presidente teria afirmado que os povos indígenas bolivianos têm sido “[...] ‘historicamente marginalizados, humilhados, odiados, desprezados, condenados à extinção. [...] Esses povos jamais foram reconhecidos como seres humanos [...] [mas são] os donos absolutos desta nobre terra [a Bolívia] e de seus recursos naturais’” (MAISONNAVE, 2006, p. A-08).
Em relação à cultura da coca, a reportagem diz que
 
[...] durante a cerimônia [de posse], um deputado do MAS [...] mascava as folhas de coca que havia colocado em cima da bancada parlamentar [...] [e] sobre os Estados Unidos, mencionou a reunião que manteve [...] com o chefe da diplomacia americana para a América Latina [...] e exortou esse país a fazer ‘um acordo efetivo da luta contra o narcotráfico’ [...] [para que] ‘a cocaína não seja uma desculpa para que o governo dos EUA submeta os nossos povos’ (MAISONNAVE, 2006, p. A-08).
 
Esse trecho demonstra ou falta de conhecimento ou má fé do repórter quando trata do costume de mascar folha de coca no País e estabelece relação com o narcotráfico. Os jornalistas devem ser pessoas com conhecimento suficiente para compreender as razões de comportamentos culturais diferentes dos seus e ainda devem contribuir para que seus leitores tenham acesso a uma informação livre de preconceitos. Como afirma Lage, “Preconceitos e pressupostos ajudam pouco e atrapalham muito em jornalismo” (2001, p. 42).
 

3.5 CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA E SOCIAL – MICHELLE BACHELET

 
A revista Caros Amigos apresenta Michelle Bachelet informando o problema de violência do qual são vítimas as mulheres chilenas e do machismo predominante no país, uma vez que “o Chile está entre os campeões de ‘agressão familiar’” (SEVERIANO, 2006, p. 28). O jornalista Mylton Severiano dá conta ainda que a presidente chilena foi vítima da ditadura chilena do governo Pinochet. Diz a matéria que
 
[...] enquanto se dava a barbárie [execução sumária e tortura pela ditadura de Augusto Pinochet], sofria em casa uma garota de 22 anos chamada Michelle, quarto-anista de medicina, militante das Juventudes Socialistas, que até hoje canta e toca violão. Filha da antropóloga Ângela Jeria, que buscava notícias do marido, general da Força Aérea Alberto Bachelet, diretor de Abastecimento no governo deposto de Salvador Allende [...] [e que] morreria vítima de torturas em 1974, no cárcere. A filha Michelle, que também foi presa com a mãe e teve de se exilar, é hoje presidente do Chile [grifos nossos] (SEVERIANO, 2006, p. 28).
 
Em relação ao machismo, a reportagem informa que
 
[...] um cronista anotou a elegância dos periódicos ao esconder os sobrenomes dos filhos da primeira presidenta [sic]. São de casamentos diferentes, o que horrorizaria machistas e moralistas. [...] [Visando enfrentar o problema do machismo, a presidente] para vinte ministérios, nomeou dez homens e dez mulheres [grifos nossos] (SEVERIANO, 2006, p. 29).
 
Severiano comenta ainda que Bachelet já esteve envolvida com o governo federal chileno “como ministra da Defesa e da Saúde” (SEVERIANO, 2006, p. 29).
No caso da presidente chilena a revista Veja adota uma postura intrigante. Apesar de destacar o que foi aqui chamado de fator primeiro e de citar o passado de tortura e como ministra em governos anteriores, a revista parece reduzir a importância da presidente ao apontá-la como a opção da continuidade (inclusive das medidas do ditador Pinochet), não citar o quesito machista e, de certa forma, contribuir com ele. Diz Ruth Costas que
 
[...] a Concertación, a coalizão de partidos de centro e de esquerda pela qual Bachelet foi eleita, governa o Chile desde o fim da ditadura do general Augusto Pinochet, em 1990. [...] [Anteriormente, havia sido] ministra da Saúde e, em seguida, da Defesa. [...] No Chile, há um consenso entre esquerda e direita de que os fundamentos do modelo estabelecido sob Pinochet, com alguns aprimoramentos, são o melhor para o país. Socialista moderada, Bachelet representa a continuidade. [...] Médica pediatra, separada duas vezes e mãe de três filhos [...] [é filha de] um general leal a Allende [que] morreu de ataque cardíaco ao ser torturado pelos golpistas em 1974. Ela própria, com sua mãe, foi presa, torturada e exilada (COSTAS, 2006, p. 70-72).
 
A Folha de S. Paulo, no caso de Bachelet, adota uma cobertura breve, sem contextualização histórica ou social profunda, além de também omitir o fato do machismo chileno. Diz Pedro Dias Leite que
 
[...] Michelle Bachelet, 54, tomou posse [...] num Senado lotado, que a aplaudiu de pé por alguns minutos. Não houve discurso. [...] Os filhos da nova presidente (três, de dois casamentos) ficaram numa parte distante das galerias, no local reservado a fotógrafos e cinegrafistas. [...] A presidente nomeou um a um os seus ministros, no primeiro gabinete na história da América Latina em que as mulheres são a metade. [...] Socialista, separada, agnóstica, perseguida e torturada durante a ditadura, Bachelet foi eleita pela Concertação [sic], a coalizão de centro-esquerda que governa o país desde o fim da didatura [grifos nossos] (LEITE, 2006, p. A-27).
 

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

 
Uma análise preliminar permite apontar para uma contextualização histórica e política melhor elaborada por parte do periódico considerado neste trabalho como ‘alternativo’. Evidentemente não se trata de afirmação conclusiva, e é possível elaborar hipóteses em relação a essa suposta independência editorial identificada: a mais óbvia parece ser a da periodicidade de publicação. Talvez os jornalistas que atuem em um periódico mensal, como a revista Caros Amigos, tenham mais tempo para elaborar matérias com conteúdo mais refinado, enquanto no caso dos órgãos de imprensa diários (como a Folha de S. Paulo) ou semanais (como a Veja), a agilidade requerida comprometa a contextualização.
 
Outra hipótese deve considerar efetuar levantamento de quantos órgãos de imprensa no país que mantém tiragem periódica exercem de fato a independência editorial em tempos do quarto jornalismo, ou mesmo identificar, junto aos profissionais do segmento se eles atuariam em um órgão independente.
Outro quesito identificado durante este trabalho, já comentado anteriormente, que constitui instigante possibilidade de pesquisa, é o fato que a imprensa brasileira parece dedicar atenção restrita à cobertura dos fatos jornalísticos dos demais países da América Latina. A quantidade de material disponível nos periódicos analisados em relação aos presidentes que não o brasileiro ajuda a justificar o comentário. Analisar como essa cobertura se dá em outros suportes também pode motivar bons projetos: principalmente em tempos nos quais se discute a criação de um bloco comercial dos países do cone-sul das Américas, a pouca informação acerca dos países latinos pode criar dificuldades.
 
Além disso, verificou-se neste trabalho que o objetivo do jornalismo de informar com objetividade e imparcialidade não é seguido, principalmente, pelo jornal Folha de S. Paulo e pela revista Veja que expõem a opinião sem contextualização ou argumentação em suas reportagens.
 
Outra questão que pode ser avaliada em pesquisa futura deve ser a definição dos gêneros jornalísticos, como notícia, reportagem e artigo de opinião. A clareza na definição desses gêneros pode elucidar até que ponto a opinião pura e simples do jornalista pode ser exposta sem prejuízo para o leitor, pois o jornalismo tem como função primordial promover o conhecimento por meio da informação contextualizada e é isso que deve nortear o seu trabalho.
 
Os gêneros notícia e reportagem são textos em que o repórter é o mediador entre o acontecimento e o leitor e, portanto, deve contá-lo de forma a não expor sua opinião. Entende-se neste trabalho que toda notícia e reportagem são recortes da realidade, porém isso não implica em registrar os fatos de maneira a influenciar o leitor para um lado ou outro. Para a opinião fundamentada, existe o artigo de opinião, que geralmente é assinado e produzido por especialista ou por um jornalista com larga experiência na profissão.
 
Nesse sentido, a revista Veja, principalmente, usa a reportagem como veículo de opinião sobre assuntos de grande importância, o que pode vir a prejudicar o leitor que se informa a partir da opinião de alguém e não da busca do mediador-jornalista das informações e das relações entre elas.
 
A principal questão levantada neste trabalho é que os veículos de comunicação ainda trabalham com a aplicação dos conceitos de objetividade e imparcialidade, que supostamente dariam credibilidade e legitimidades às informações publicadas, e isso impede que a imprensa realize seu trabalho de divulgação e interpretação dos fatos com clareza para a sociedade. Reconhecer que as rotinas de produção do jornalismo e a formação cultural de cada jornalista influenciam o resultado final do jornalismo seria compreender-se humano, que tem limitações e visão de mundo própria.


[1] Este artigo foi adaptado a partir de trabalho produzido para a disciplina Estudos de Jornalismo do Mestrado em Comunicação e Linguagens, da Universidade Tuiuti do Paraná (UTP), em novembro de 2006.
[2] angelafarah@uol.com.br – Graduada em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Universidade do Vale do Itajaí (1998), especialista em Planejamento de Comunicação Integrada, cursando Mestrado em Comunicação e Linguagens pela Universidade Tuiuti do Paraná (UTP), professora dos cursos de Jornalismo e Publicidade do Centro Universitário de União da Vitória (UNIUV) e membro do Conselho Editorial do UNIUV.
[3] marquioni@marquioni.com.br – Mestre em Comunicação e Linguagens (UTP/2008) e Bacharel em Análise de Sistemas (PUC-Campinas/1994).
[4] gicameister@terra.com.br – Graduada em Comunicação Visual pela Universidade Federal do Paraná (1983). Especialização em Leitura de Múltiplas Linguagens da Comunicação e da Arte pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (2006). Mestranda em Comunicação e Linguagens pela Universidade Tuiuti do Paraná. Tem experiência na área de Comunicação Visual com atuação em design gráfico.
[5] Durante a apresentação da contextualização fornecida pela imprensa brasileira, esses critérios serão retomados e justificados com exemplos.
[6] As justificativas de como esses presidentes se enquadram nos critérios apresentados se dá na parte três do artigo, quando são apresentadas as matérias selecionadas nos órgãos de imprensa utilizados.
[7] Em relação à circulação da Folha de S. Paulo, podem ser citados dados coletados junto à ANJ – Associação Nacional de Jornais (a partir de consulta no site http://www.anj.org.br/?q=node/177 em 24/09/2006), segundo os quais esse periódico representa a maior circulação entre os jornais brasileiros: no ano de 2005, a circulação média diária foi de 307.937 exemplares; em 2004, o valor foi 307.703; no ano de 2003, 314.908; em 2002, circularam em média 346.333 exemplares e em 2001, o valor foi de 399.654. Os valores em questão correspondem, na média, um volume 16% superior ao segundo colocado, que variou nos últimos cinco anos entre os periódicos O Globo (2005, 2004, 2003), Extra (2002) e O Estado de São Paulo (2001).
[8] Em relação à circulação da Veja, podem ser citados dados coletados junto ao site da editora Abril (a partir de consulta no site http://www.publiabril.com.br em 27/10/2006), segundo os quais a revista possui tiragem semanal média de 1.250.000 exemplares, o que faz dela a quarta maior revista semanal de informação do mundo, sendo superada apenas pelas  americanas Time, Newsweek e U.S. News and World Report – logo, a maior revista brasileira.
[9] O brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva tomou posse no dia 01/01/2003; Evo Morales assumiu o governo boliviano em 22/01/2006; a chilena Michelle Bachelet iniciou seu governo em 11/03/2006.
[10] Um desdobramento evidente deste trabalho aponta para avaliação (quantitativa e qualitativa) da cobertura de fatos latino-americanos de relevância mundial pela imprensa brasileira.
[11] É possível utilizar o fator primeiro associado ao presidente boliviano também para destacar um aspecto identificado durante a realização da pesquisa: um articulista da revista Caros Amigos, Emir Sader, publica ocasionalmente artigos no jornal Folha de S. Paulo, criando um ‘elo’ entre a imprensa alternativa e a grande imprensa. Em um desses artigos no jornal, Sader destaca também o ineditismo de Morales ao apresentá-lo como “o primeiro líder indígena a dirigir um país em que 70% da população se reconhece como indígena [grifo nosso]” (SADER, 2006, p. A-3).
[12] Apesar de ampliar o escopo dos objetos tratados neste trabalho (uma vez que envolve o nome de um quarto presidente), não é possível deixar de evidenciar um aspecto identificado durante a realização da pesquisa, que remete a um formato padrão de noticiar (MARCONDES FILHO, 2002, p. 47) observado nas reportagens com envolvimento da jornalista Ruth Costas (revista Veja). Nessas matérias, há evidente padronização e viés político de condenação ao presidente venezuelano Hugo Chávez. Vale destacar, contudo, que os trechos analisados a seguir foram extraídos de reportagens que tratavam inicialmente das vitórias eleitorais de Evo Morales e Michelle Bachelet, mas que terminam exatamente da mesma forma: com críticas diretas ao venezuelano, seguidas de uma citação de comentário de um acadêmico local e uma foto do presidente venezuelano no final do texto. No caso da matéria sobre Evo Morales, Ruth Costas encerra o texto informando que “[...] o principal mentor político do novo presidente boliviano é o seu colega venezuelano, Hugo Chávez. Morales imita Chávez em seu discurso populista, nacionalista e antiimperialista. ‘Com um pouco de sorte, no entanto, Morales se dará conta de que não pode se permitir o luxo de fazer como Chávez, que espanta o investimento estrangeiro porque tem de sobra o dinheiro do petróleo’, disse a VEJA o economista Gilberto Hurtado, da Universidade Católica Boliviana [grifos nossos]” (COSTAS, 2005, p. 60). A matéria relacionada à presidente Bachelet tem reportagem de Ruth Costas e encerra com a comparação entre “[...] o sistema que funciona bem no Chile [...] [e o outro,] em oposição, [...] o ‘modelo venezuelano’, batizado pelo presidente Hugo Chávez de ‘socialismo do século XXI’. Significa, basicamente, canalizar os recursos do Estado (que na Venezuela são abundantes graças às exportações de petróleo) para projetos de cunho clientelista [...]. ‘A esquerda chilena, com seu pragmatismo, destoa de praticamente tudo o que boa parte da esquerda latino-americana admira em Chávez: a postura antiamericana, o populismo e o assistencialismo’, disse a VEJA o cientista político chileno Miguel Angel López, da Universidade do Chile [grifos nossos]” (SCHELP & COSTAS, 2005, p. 60).

 

 
 

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[13] Todas as colunas do jornal Folha de S. Paulo utilizadas neste trabalho foram consultadas no site do periódico na Internet (www.uol.com.br/fsp). Acessos realizados no dia 28/09/2006.
 
 
 
 
 
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